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23.8.09

Momentos

Muito bonito, este pequeno vídeo, realizado por Will Hoffman e oriundo do projecto RadioLab, que pretende ser uma celebração de vida. Consegue-o. Curta baseada no livro "Sum" de David Eagleman:

16.8.09

Uma revolução silenciosa em curso

Neste momento, à superfície do mundo há guerra, violência e o cenário parece negro. No entanto, tranquila e discretamente, ao mesmo tempo, algo diferente está a acontecer por baixo.

Está a ter lugar uma revolução interior e alguns indivíduos estão a ser chamados para uma luz superior. É uma revolução silenciosa. De dentro para fora. De baixo para cima. Trata-se de uma operação global. Uma conspiração espiritual.

Há células adormecidas em todas as nações do planeta. Não nos verás na televisão. Não lerás sobre nós nos jornais. Não ouvirás sobre nós na rádio. Não procuramos glória. Não usamos farda. Somos de todos os tamanhos e feitios, cores e estilos.

A maioria de nós actua de forma anónima. Estamos serenamente a trabalhar nos bastidores em todos os países e culturas do mundo. Em pequenas e grandes cidades, em montanhas e vales, em quintas e aldeias, em tribos e ilhas remotas. Você poderia passar por um de nós na rua sem reparar.

Somos clandestinos. Permanecemos por detrás da ribalta. Não nos interessa quem é que fica com o mérito mas apenas que o trabalho seja feito.

Por vezes, detectamo-nos uns aos outros na rua. Cumprimentamo-nos com um aceno discreto e prosseguimos o nosso caminho. Durante o dia, muitos de nós finge ter um emprego normal, mas é à noite por detrás dessa falsa fachada que o verdadeiro trabalho ocorre.

Alguns chamam-nos de Exército Consciente. Estamos lentamente a criar um novo mundo com o poder das nossas mentes e dos nossos corações. Seguimos, com paixão e júbilo. As nossas ordens vêm da Inteligência Espiritual Central.

Quando ninguém está a olhar, largamos bombas suaves e secretas de amor: Poemas, Abraços, Música, Fotografias, Filmes, Palavras gentis, Sorrisos, Meditações e Orações, Dança, Activismo social, Websites, Blogs, Gestos aleatórios de bondade.

Cada um de nós expressa-se de formas únicas com os nossos talentos e dons únicos. "Sê a mudança que queres ver no mundo". Este é o lema que enche os nossos corações. Sabemos que esta é a única forma de acontecer uma transformação real. Sabemos que, tranquilamente e com humildade, temos o poder de todos os oceanos combinados.

O nosso trabalho é lento e meticuloso como a formação de montanhas, nem sequer é visível a olho nú e, no entanto, com ele mover-se-ão enormes placas tectónicas nos séculos vindouros.

O Amor é a nova religião do século XXI. Não tens de ser uma pessoa com educação superior ou possuir conhecimentos excepcionais para o entender. Vem da inteligência do coração, embebida no intemporal pulso evolucionário de todos os seres humanos.

"Sê a mudança que queres ver no mundo". Mais ninguém o pode fazer por ti. Estamos a recrutar... talvez te juntes a nós ou talvez já o tenhas feito. Todos são bem-vindos. A porta está aberta.

autor anónimo, traduzido por nós daqui

10.8.09

Inspirações para a semana

 Mensagem motivacional I Have the Power para a semana que começa:

Neste período de férias, em que temos mais tempo para pensar, para estar com a família, em que nos rimos mais, em que estamos mais vezes em contacto com a Natureza, é um período fantástico para pensarmos na nossa vida, no que temos feito, no que estamos a fazer e no que vamos continuar a fazer.

Será que faço o que gosto?

Será que podia fazer algo que me fizesse sentir que vou a caminho dos meus sonhos? O quê? Por onde poderia começar?

Será que os hábitos que tenho são bons para mim? Se não, que tal começar hoje a mudar apenas 1 deles?

Será que a importância que dou aos problemas, ao que me fazem, ao que dizem de mim e me dizem, não é exagerada?

Será que os outros merecem tal importância?

Será que o problema merece tal importância?

E se eu imaginasse ser maior que qualquer problema?

E se seu avançasse nesta semana, pensando no meu futuro e não apenas no passado e no presente?

E se eu vivesse por momentos, em cada dia, no futuro e não apenas no agora?

O que irá acontecer esta semana, se eu experimentar?

Votos de uma semana TREMENDA!

Conheça melhor aqui o projecto I Have the Power e o trabalho de Adelino Cunha, um pioneiro do Desenvolvimento Pessoal em Portugal.

16.7.09

Agostinho da Silva e a felicidade

"Não creio que se possa definir o homem como um animal cuja característica ou cujo último fim seja o de viver feliz, embora considere que nele seja essencial o viver alegre. O que é próprio do homem na sua forma mais alta é superar o conceito de felicidade, tornar-se como que indiferente a ser ou não ser feliz e ver até o que pode vir do obstáculo exactamente como melhor meio para que possa desferir voo. Creio que a mais perfeita das combinações seria a do homem que, visto por todos, inclusive por si próprio, como infeliz, conseguisse fazer de sua infelicidade um motivo daquela alegria que se não quebra, daquela alegria serena que o leva a interessar-se por tudo quanto existe, a amar todos os homens apesar do que possa combater, e é mais difícil amar no combate que na paz, e sobretudo conservar perante o que vem de Deus a atitude de obediência ou melhor, de disponibilidade, de quem finalmente entendeu as estruturas da vida.

Os felizes passam na vida como viajantes de trem que levassem toda a viagem dormindo; só gozam o trajecto os que se mantêm bem despertos para entender as duas coisas fundamentais do mundo: a implacabilidade, a cegueira, a inflexibilidade das leis mecânicas, que são bem as representantes do Fado, e cuja grandeza verdadeira só se pode sentir bem no desastre; é quando a catástrofe chega que a fatalidade se mede em tudo o que tem de divino, e foi pena que não fosse esta a lição essencial que tivéssemos tirado da tragédia grega; como pena foi que só tivéssemos olhado o fatalismo dos árabes pelo seu lado superficial.

Por outra parte, é igualmente na desgraça que se mede a outra grande força do mundo, a da liberdade do espírito, que permite julgar o valor moral no desastre e permite superar, pelo seu aproveitamento, o toque do fatal; não creio que Prometeu estivesse alguma vez verdadeiramente encadeado: talvez o estivesse antes ou depois da prisão; mas era realmente um espírito de liberdade e um portador de liberdade o que, agrilhoado a montanha, se sentiu mais livre ainda; porque podia consentir ou não no desastre, superá-lo ou não, ser alegre ou não. E este ser alegre não significa de modo algum a alegria daquele tipo americano de «Quebre uma perna e ria»; acho que eram muito mais alegres as pragas dos velhos soldados de Napoleão. No fundo é o seguinte: é necessário, ajudando a realizar o homem no que tem de melhor, que a mesma energia que se revelou pela física no mundo da extensão, se revele pelo espírito no mundo do pensamento e domine a primeira vaga de energia, como onda rolando sobre onda mais alto vai. E mais ainda: que pelo momento de infelicidade, o que não poderá nunca suceder no caso da felicidade, entenda o homem como as duas espécies ou os dois aspectos de energia se reúnem em Deus. Só por costume social deveremos desejar a alguém que seja feliz; às vezes por aquela piedade da fraqueza que leva a tomar crianças ao colo; só se deve desejar a alguém que se cumpra: e o cumprir-se inclui a desgraça e a sua superação."

Agostinho da Silva (Textos e Ensaios Filosóficos)

13.7.09

Eduardo Lourenço sugere Novas Respostas para a Cultura

O Inatel e a Fundação Mário Soares juntaram-se para organizar um interessante ciclo de conferências, que pretende reflectir acerca da sociedade contemporânea. A jornada "Novas Respostas a Novos Desafios" começou em Fevereiro, vai prolongar-se até 2010 em diversos locais do país e terá a sua próxima etapa em Coimbra, no dia 16 (quinta-feira), com um "peso pesado" do pensamento moderno português, perdão, universal, Eduardo Lourenço, que falará sobre Novas Respostas da Cultura. É na Casa Municipal da Cultura, às 21h30.

3.7.09

A falência do real e a cultura do simulacro

Eis uma excelente introdução ao pensamento do grande filósofo francês Jean Baudrillard. De como a realidade moderna é cada vez menos real, da ascensão do paradigma "virtual" e dos perigos associados. 

Trata-se de uma tendência antiga, esta dos simulacros e da apetência humana pelo "virtual", mas tem sido acelerada e aprofundada pelo recente e extraordinário desenvolvimento tecnológico e científico. De Jesus Cristo à Matrix, eis uma "procissão de simulacros":

2.7.09

O que é e o que devia ser: Um diálogo com Krishnamurti

Interrogante: Li muito de filosofia, psicologia, religião e política, matérias essas que, em maior ou menor grau, aludem às relações humanas. Li também vossos livros, que se ocupam com o pensamento e as idéias e, por alguma razão, me sinto enfarado de tudo isso. Estive nadando num oceano de palavras, e em toda parte aonde vou só se me oferecem mais palavras e ações derivadas dessas palavras: conselhos, exortações, promessas, teorias, análises, remédios. Naturalmente, tudo isso deve ser posto de parte; vós mesmo o fizestes, mas, para a maioria dos que vos têm lido e ouvido, o que dizeis são só palavras. Deve haver pessoas para as quais o que dizeis representa algo mais do que palavras, uma realidade absoluta, mas refiro-me aos demais. Eu gostaria de ultrapassar as palavras, ultrapassar a idéia, para viver em relação total com todas as coisas. Pois, afinal de contas, essa relação é vida. Tendes dito que cada um deve ser mestre e discípulo de si próprio. É-me possível viver com toda a simplicidade, sem princípios, crenças, e ideais? Posso viver livremente, sabendo que sou escravo do mundo? As crises não nos batem à porta antes de entrarem, os desafios da vida de cada dia surgem antes de os pressentirmos. Sabendo isso, tendo-me visto tantas vezes a braços com esses desafios, a perseguir fantasmas, pergunto-me a mim mesmo como posso viver corretamente e com amor, clareza e alegria não forçada. Não quero saber como viver, porém viver; o "como" nega o próprio viver real. A nobreza da vida não consiste em praticar nobreza.

Krishnamurti: Após dizerdes tudo isso, onde vos achais? Desejais realmente viver com felicidade e amor? Se o desejais, onde está o problema?

Interrogante: Eu o desejo deveras, mas isso não me leva a parte alguma. Há anos que desejo viver dessa maneira, mas não posso.

Krishnamurti: Portanto, embora negueis o ideal, a crença, a diretiva, estais, com muita sutileza e de maneira indireta, perguntando a mesma coisa que todos perguntam; é o conflito entre "o que é" e o que "deveria ser".

Interrogante: Mesmo tirando-se o que deveria ser, vejo que "o que é" é horrível. Enganar a mim mesmo, para não vê-lo, seria muito pior ainda.

Krishnamurti: Ver "o que é" é ver o universo, e rejeitar "o que é" é a origem do conflito. A beleza do universo está em "o que é"; e viver com "o que é", sem esforço, é virtude.

Interrogante: "O que é" inclui também a confusão, a violência, toda espécie de aberração humana. Viver com "o que é" é o que chamais virtude. Mas isso não é insensibilidade e insânia? A perfeição não consiste simplesmente em abandonar todos os ideais! A própria vida exige que eu a viva com beleza, como a águia nos ares; viver o milagre da vida, carecendo da beleza total, é inaceitável.

Krishnamurti: Então, vivei-o!

Interrogante: Não posso.

Krishnamurti: Se não podeis, vivei então em confusão; não batalheis contra ela. Conhecendo toda a aflição que ela traz, vivei com ela, isto é, com o que é. E viver com "o que é", sem conflito, liberta-nos dele.

Interrogante: Quereis dizer que nosso único defeito é sermos autocríticos?

Krishnamurti: Não, de modo nenhum. Não sois suficientemente crítico. Não ides mais longe em vossa autocrítica. A própria entidade que critica precisa ser criticada, examinada. Se o exame é comparativo, feito de medida em punho, então esse padrão é o ideal. Se não há padrão nenhum - por outras palavras, se a mente não está sempre comparando e medindo - podeis observar "o que é", e então "o que é" já não é a mesma coisa.

Interrogante: Observo-me sem nenhum padrão e, no entanto, continuo a viver sem beleza.

Krishnamurti: Todo exame requer um padrão. Mas, é possível observar de maneira que só haja observação, ver, e nada mais - que só haja percepção, sem a entidade que percebe?

Interrogante: Que quereis dizer?

Krishnamurti: Há o ato de olhar. A aferição desse "olhar" é interferência, deformação do "olhar": não é olhar; ao contrário, é avaliação do "olhar"; são duas coisas tão diferentes como um pedaço de giz e um pedaço de queijo. Tendes percepção de vós mesmo, sem a deformação, apenas uma absoluta percepção de vós mesmo, tal como sois?

Interrogante: Tenho.

Krishnamurti: Vedes fealdade, nessa percepção?

Interrogante: Não há fealdade na percepção, porém na coisa percebida.

Krishnamurti: A maneira como percebeis é o que sois. A virtude está em olhar puramente, ou seja com atenção, sem a deformação produzida pela medida e a idéia. Viestes aqui a fim de perguntar como viver com beleza e amor. Olhar sem deformar é amor, e a ação dessa percepção é a ação da virtude. Essa clareza da percepção atuará constantemente no viver. Isso é viver como a águia nos ares; é a beleza viva, o amor vivo.

Com os nossos agradecimentos à última e excelente (como sempre) newsletter da Instituição Cultural Krishnamurti, que pode ser lida na íntegra aqui. Aconselhamos vivamente, de resto, a subscrever gratuitamente este magazine digital dedicado ao grande pensador indiano.

20.5.09

Sobre a crença

Pergunta: Acreditar em Deus tem sido um poderoso incentivo para melhorar a vida. O senhor rejeita Deus, porquê? Por que não tenta restabelecer a fé do homem na ideia de Deus?

Krishnamurti: Olhemos para o problema de um modo aberto e inteligente. Eu não rejeito Deus – isso seria demasiado estúpido. Só o homem que não conhece a realidade utiliza palavras sem significado. Aquele que diz que sabe, não sabe; aquele que experiencia a realidade a todo o momento não tem meios para comunicar essa realidade.

A crença é a negação da Verdade; a crença impede a Verdade; acreditar em Deus é não encontrar Deus. Nem o crente nem o não-crente encontram Deus; porque a Verdade é o desconhecido, e acreditar ou não no desconhecido é uma simples projecção pessoal e portanto não é real. Sei que você é crente, e sei também que isso tem pouco significado na sua vida. Há muita gente crente; milhões acreditam em Deus e nisso obtêm consolo. Primeiro que tudo, por que é crente? É crente porque isso lhe dá satisfação, consolo, esperança e, como você afirma, dá significado à vida. De facto, o seu acreditar tem muito pouco significado, porque acredita e explora os outros, acredita e mata, acredita num Deus universal e aceita que os homens se matem uns aos outros. O homem rico também acredita em Deus, ele explora sem piedade, acumula riqueza, e depois constrói um templo ou torna-se filantropo.

Os homens que largaram a bomba atómica em Hiroshima disseram que Deus estava com eles; aqueles que voaram de Inglaterra para destruir a Alemanha afirmavam que Deus era o seu co-piloto. Os ditadores, os primeiros-ministros, os generais, os presidentes, todos eles falam de Deus, têm imensa fé em Deus. E estarão eles a fazer o que deviam fazer, construindo uma vida melhor para os seres humanos? As pessoas que afirmam acreditar em Deus já destruíram metade do mundo, e este planeta está uma completa desgraça. Através da intolerância religiosa criam-se divisões entre os povos, os que acreditam e os que não acreditam, o que conduz a guerras religiosas. Isso demonstra como as nossas mentes estão extraordinariamente politizadas.

Será que acreditar em Deus é “um poderoso incentivo para uma vida melhor”? Por que queremos nós um incentivo para viver melhor? Claro que esse incentivo deve ser o nosso próprio desejo de viver com higiene e com simplicidade, não é assim? Se procuramos um incentivo, é porque não estamos interessados em tornar a vida melhor para todos, estamos apenas interessados no nosso incentivo, que é diferente do de outra pessoa – e acabaremos por lutar por causa de um incentivo. Se vivermos em paz uns com os outros, não porque acreditamos em Deus mas porque somos seres humanos, então partilharemos todos os meios de produção com o objectivo de produzir coisas para toda a gente. Devido à falta de inteligência, aceitamos a ideia de uma super-inteligência a que chamamos “Deus”; mas esse “Deus” não nos vai proporcionar uma vida melhor. O que conduz a uma vida melhor é a inteligência; e não pode existir inteligência se houver crença, se houver divisões sociais, se os meios de produção estiverem nas mãos de poucos indivíduos, se existirem nações isoladas e governos soberanos. Tudo isto indica falta de inteligência e é a falta de inteligência que está a impedir uma vida melhor, e não a descrença em Deus.

Todos nós acreditamos de modos diferentes, mas a crença não tem qualquer realidade. A realidade é aquilo que cada um é, o que cada um faz, pensa, e acreditar em Deus é um mero escape para a nossa monótona, estúpida e cruel existência. Mais, a crença invariavelmente divide as pessoas: há o hindu, o budista, o cristão, o comunista, o socialista, o capitalista, e tudo o resto. A crença e a ideia dividem; nunca levam as pessoas a estarem unidas. Algumas pessoas podem juntar-se e formar um grupo; mas esse grupo acaba por se opor a outro grupo. Ideias e crenças nunca são unificadoras; pelo contrário, elas são separativas, desintegradoras e destrutivas. Portanto, a crença em Deus está de facto a espalhar a infelicidade no mundo; embora essa crença nos traga consolo momentâneo, ela na realidade trouxe mais sofrimento e destruição na forma de guerras, fome, divisão de classes e a impiedosa acção de indivíduos que se puseram à parte. Assim, a crença não tem validade alguma. Se acreditássemos realmente em Deus, se isso fosse uma experiência real para nós, então haveria um sorriso na nossa face; e não destruiríamos os outros seres humanos.

O que é a Realidade? O que é Deus? Deus não é a palavra, a palavra não é a Realidade. Para conhecer isso que é imensurável, que não está no tempo, a mente tem de estar liberta do tempo, quer dizer, a mente tem de se libertar de todo o pensamento, de todas as ideias acerca de Deus. O que sabemos nós sobre Deus ou a Verdade? Não sabemos realmente nada sobre essa Realidade. Tudo o que conhecemos são palavras, são experiências de outros ou alguns momentos de experiências pessoais. Claro que isso não nos dá a conhecer Deus, não é a Verdade, isso não está para além do tempo. Para se conhecer isso que está para além do tempo, temos de compreender o processo do tempo, tempo sendo pensamento, sendo o processo de “vir a ser”, sendo acumulação de conhecimentos. Isso é tudo o que está por detrás da mente; a mente, em si, é esse fundo (background), é o consciente e o inconsciente, é o colectivo e o individual. Assim, a mente tem de estar livre do conhecido, isto é, ela tem de estar completamente em silêncio, não forçada ao silêncio. A mente que atinge o silêncio como um resultado, como o produto de determinada acção, prática ou disciplina, não é uma mente em silêncio. A mente que é forçada, controlada, moldada, posta dentro de limites e mantida quieta, não é uma mente em paz. Podemos ter sucesso por algum tempo em forçar a mente a ser superficialmente silenciosa, mas tal mente não é uma mente serena. A serenidade só acontece quando compreendemos todo o processo do pensamento, porque compreender esse processo é acabar com ele, e na cessação do processo do pensamento está o começo do silêncio.

Só quando a mente está completamente em silêncio, não apenas a um nível superficial mas a um nível profundo da consciência – só então o desconhecido pode manifestar-se. O desconhecido não é algo para ser experimentado pela mente; apenas o silêncio, e só o silêncio pode ser experienciado. Se a mente experimenta o silêncio, é porque está simplesmente a projectar os seus próprios desejos, e uma tal mente não está em silêncio; enquanto a mente não estiver em silêncio, enquanto o pensamento sob qualquer forma, consciente ou inconsciente, estiver em movimento, não poderá haver silêncio. Silêncio é libertação do passado, dos conhecimentos, de memórias conscientes e inconscientes; quando a mente está em completo silêncio, não em funcionamento, quando há silêncio que não é produto do esforço, então o Intemporal, o Eterno dá-se a mostrar. Esse estado não é um estado para lembrar – não há qualquer entidade a recordá-lo, a experimentá-lo.

Portanto, Deus, a Verdade, chamemos-lhe o que quisermos, é algo que se manifesta a todo o momento, e isso só acontece num estado de liberdade e de espontaneidade, não quando a mente é disciplinada de acordo com um padrão. Deus não é uma coisa da mente, não vem através da autoprojecção; só acontece quando há virtude, que é liberdade. Virtude é enfrentar o facto de o que é, e enfrentar o facto gera um estado de bênção. Quando a mente está nesse estado de profunda alegria, em paz, sem qualquer movimento, sem a projecção consciente ou inconsciente do pensamento, – só então o Eterno se manifesta.

Jiddu Krishnamurti in "A Primeira e Última Liberdade"

Fonte: Núcleo Cultural Krishnamurti Portugal
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12.5.09

Uma reflexão bem-humorada e muito séria sobre a escola que temos

Ken Robinson, professor, pensador e brilhante comunicador inglês, levanta nesta palestra muito bem humorada, questões muito sérias acerca do modelo de escola tradicional, que continua a imperar nos sistemas educativos oficiais um pouco por todo o mundo. A brincar, a brincar, Robinson desfaz como um castelo de cartas, sem piedade e com inquietante lucidez, a "fortaleza" educativa que herdámos da revolução industrial e do século XIX. Um sistema que reprime a criatividade e a inteligência e que gera adultos frustrados e ignorantes. Mais uma palestra Ted Talks imperdível:


8.5.09

Meditação

Vindo para o centro

"Tente observar uma aranha. A aranha tece a sua teia em qualquer nicho conveniente e, depois, senta-se no centro e fica quieta e silenciosa. Mais tarde, uma mosca vem e pousa na teia. Assim que ela toca e abana a teia, "boop!" - A aranha salta sobre ela e envolve-a nos fios. Ela retira-se para guardar o insecto e regressa para se posicionar silenciosamente no centro da teia.

Observar uma aranha desta forma pode dar origem à sabedoria. Os nossos seis sentidos têm a mente no centro, cercada pelo olho, ouvido, nariz, língua e corpo. Quando um dos sentidos é estimulado, por exemplo, uma forma contactando o olho, ela agita e atinge a mente. A mente é aquilo que sabe, aquilo que conhece a forma. Apenas isto é suficiente para a sabedoria surgir. Isto é simples.

Como uma aranha na sua teia, devemos viver cuidando de nós próprios. Assim que a aranha sinta o contato de um insecto com sua teia, ela agarra-o rapidamente, amarra-o e volta novamente para o centro. Isto não é nada diferente das nossas próprias mentes. "Vir para o centro" significa viver atentamente com compreensão clara, estando sempre alerta e fazendo tudo com exactidão e precisão - isto é o nosso centro. Não há realmente muito que possamos fazer; nós apenas vivemos cuidadosamente desta forma. Mas isto não significa que vivamos inconscientemente a pensar: "Não há necessidade de fazer meditação sentada ou a caminhar!", e esquecermos assim tudo sobre a nossa prática. Não podemos ser descuidados! Devemos permanecer em alerta como a aranha que espera para apanhar os insectos para se alimentar.

Isto é tudo o que temos que saber - sentar e contemplar essa aranha. Faça muito isto e a sabedoria poderá surgir espontaneamente. A nossa mente é comparável à aranha, as nossas emoções ou impressões mentais são comparáveis aos vários insectos. Isto é tudo o que há! Os sentidos envolvem e estimulam constantemente a mente; quando qualquer deles contacta alguma coisa, isto imediatamente alcança a mente. A mente, então, investiga-o e examina minuciosamente, após o que retorna ao Centro. É assim que ficamos alertas, agindo com precisão e compreendendo sempre conscientemente com sabedoria. Isto é o bastante e a nossa prática está completa."

Ajahn Chah in Bodhinyana

1.5.09

A alma humana e os caminhos

«Caminho: faixa de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada distingue-se do caminho não só por ser percorrida de automóvel, mas também por ser uma simples linha ligando um ponto a outro. A estrada não tem em si própria qualquer sentido; só têm sentido os dois pontos que ela liga. O caminho é uma homenagem ao espaço. Cada trecho do caminho é em si próprio dotado de um sentido e convida-nos a uma pausa. A estrada é uma desvalorização triunfal do espaço, que hoje não passa de um entrave aos movimentos do homem, de uma perda de tempo. 

Antes ainda de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana: o homem já não sente o desejo de caminhar e de extrair disso um prazer. E também a sua vida ele já não vê como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha conduzindo de uma etapa à seguinte, do posto de capitão ao posto de general, do estatuto de esposa ao estatuto de viúva. O tempo de viver reduziu-se a um simples obstáculo que é preciso ultrapassar a uma velocidade sempre crescente.»

Milan Kundera (em "A Imortalidade")

16.4.09

Sementes de Esperança: Um olhar sobre uma realidade esquecida

Numa altura em que tanto se fala no envelhecimento da população e das quebras de natalidade na população, eis uma excelente reportagem da TSF sobre infertilidade em Portugal.

Trata-se de um problema que afecta 290 mil casais em Portugal e que tem sido incompreensivelmente desprezado pelos poderes públicos, visto constituir não só de um drama social e de saúde, mas também um drama humano profundo, tão antigo quanto a humanidade (é um problema inerente à "espécie" humana, como explica um especialista ouvido), mas que tem hoje em dia formas de ser combatido, sobretudo no contexto da moderna medicina de reprodução ou de novas (ou antigas mas de outras zonas do mundo...) abordagens holísticas ou psicossomáticas.

Seja como for constitui, para muita gente, um drama humano que, longe de ser um "capricho", se baseia sobretudo no nosso impulso natural para nos reproduzirmos, para eternizar os nosso genes, para termos filhos e sermos pais e, depois, avós, para podermos transmitir vida a uma nova geração.

Pare então um bocadinho para perceber melhor esta realidade, que é também a realidade traumática de milhares de pessoas que perderam o principal sentido da sua vida. Pode ouvir o programa, Sementes de Esperança, aqui, ou fazer download do podcast aqui (clique com o lado direito do rato, escolha "save link as" e guarde o ficheiro no seu mp3 ou no computador).

1.4.09

Krishnamurti, o medo, a liberdade e o prazer




Estes três excertos, dobrados em português, foram registados em Washington, em 1985. Jiddu Krishnamurti tinha então 90 anos e o tema da palestra era "At the End of Sorrow is Passion". A conferência integral (estes são os três primeiros de uma série de dez vídeos, todos dobrados) pode ser vista e ouvida aqui.