Blogue do Tao Centro de Yoga e Bem-Estar. Desde 2005 a trabalhar o Desenvolvimento Pessoal na Figueira da Foz. Saúde, Felicidade, Auto-Conhecimento, Desenvolvimento Pessoal, Espiritualidade e Paz Interior. Olhe Por Si, Olhe Para Si!
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12.3.18
3.3.17
9.12.12
21.9.12
Mudar...
«A mudança não é algo que devemos temer. Pelo contrário, é algo que devíamos acolher. Sem as mudanças, nada neste mundo jamais cresceria ou desabrocharia, e ninguém neste mundo evoluiria para se tornar a pessoa destinada a ser» Bellur Krishnamachar Sundararaja (BKS) Iyengar
19.9.12
13.4.12
8.4.12
22.9.11
Viver
Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis? - perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa, perguntou também: - E onde estão os seus ...?
- Os meus?! - surpreendeu-se o turista.
- Mas eu estou aqui só de passagem!
- Eu também ... - concluiu o sábio.
A vida na Terra é somente uma passagem ... No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e esquecem-se de ser felizes.
O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isto existem momentos inesquecíveis e pessoas incomparáveis
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis? - perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa, perguntou também: - E onde estão os seus ...?
- Os meus?! - surpreendeu-se o turista.
- Mas eu estou aqui só de passagem!
- Eu também ... - concluiu o sábio.
A vida na Terra é somente uma passagem ... No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e esquecem-se de ser felizes.
O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isto existem momentos inesquecíveis e pessoas incomparáveis
10.2.11
A vida é agora
Um ponto importante da sabedoria de vida consiste na proporção correcta com a qual dedicamos a nossa atenção em parte ao presente, em parte ao futuro, para que um não estrague o outro. Muitos vivem em demasia no presente: são os levianos; outros vivem em demasia no futuro: são os medrosos e os preocupados. É raro alguém manter com exactidão a justa medida. Aqueles que, por intermédio de esforços e esperanças, vivem apenas no futuro e olham sempre para a frente, indo impacientes ao encontro das coisas que hão-de vir, como se estas fossem portadoras da felicidade verdadeira, deixando entrementes de observar e desfrutar o presente, são, apesar dos seus ares petualentes, comparáveis àqueles asnos da Itália, cujos passos são apressados por um feixe de feno que, preso por um bastão, pende diante da sua cabeça. Desse modo, os asnos vêem sempre o feixe de feno bem próximo, diante de si, e esperam sempre alcançá-lo.
Tais indivíduos enganam-se a si mesmos em relação a toda a sua existência, na medida em que vivem ad interim [interinamente], até morrer. Portanto, em vez de estarmos sempre e exclusivamente ocupados com planos e cuidados para o futuro, ou de nos entregarmos à nostalgia do passado, nunca nos deveríamos esquecer de que só o presente é real e certo; o futuro, ao contrário, apresenta-se quase sempre diverso daquilo que pensávamos.
O passado também era diferente, de modo que, no todo, ambos têm menor importância do que parecem. Pois a distância, que diminui os objectos para o olho, engrandece-os para o pensamento. Só o presente é verdadeiro e real; ele é o tempo realmente preenchido e é nele que repousa exclusivamente a nossa existência. Dessa forma, deveríamos sempre dedicar-lhe uma acolhida jovial e fruir com consciência cada hora suportável e livre de contrariedades ou dores, ou seja, não a turvar com feições carrancudas acerca de esperanças malogradas no passado ou com ansiedades pelo futuro. Pois é inteiramente insensato repelir uma boa hora presente, ou estragá-la de propósito, por conta de desgostos do passado ou ansiedades em relação ao porvir.
Arthur Schopenhauer, in "Aforismos para a Sabedoria de Vida" (obrigado)
Tais indivíduos enganam-se a si mesmos em relação a toda a sua existência, na medida em que vivem ad interim [interinamente], até morrer. Portanto, em vez de estarmos sempre e exclusivamente ocupados com planos e cuidados para o futuro, ou de nos entregarmos à nostalgia do passado, nunca nos deveríamos esquecer de que só o presente é real e certo; o futuro, ao contrário, apresenta-se quase sempre diverso daquilo que pensávamos.
O passado também era diferente, de modo que, no todo, ambos têm menor importância do que parecem. Pois a distância, que diminui os objectos para o olho, engrandece-os para o pensamento. Só o presente é verdadeiro e real; ele é o tempo realmente preenchido e é nele que repousa exclusivamente a nossa existência. Dessa forma, deveríamos sempre dedicar-lhe uma acolhida jovial e fruir com consciência cada hora suportável e livre de contrariedades ou dores, ou seja, não a turvar com feições carrancudas acerca de esperanças malogradas no passado ou com ansiedades pelo futuro. Pois é inteiramente insensato repelir uma boa hora presente, ou estragá-la de propósito, por conta de desgostos do passado ou ansiedades em relação ao porvir.
Arthur Schopenhauer, in "Aforismos para a Sabedoria de Vida" (obrigado)
3.1.11
Agostinho da Silva e um conselho precioso aos pais
A pior traição que podemos cometer perante o moço que se aproxima para que lhe digamos a Verdade é ocultar-lhe que para nós essa verdade se encontra tão longínqua e velada como a ele se apresenta. Se lhe damos por certeza o que se mostra duvidoso enganamos a confiança que o levou a dirigir-se-nos; se lhe não fizermos ver todas as fendas dos paços reais arriscamos a sua e a nossa alma a um desastre que nenhum tempo futuro poderá reparar. Os que julgou mais nobres enganaram-no; era cego, pediu guia, e levaram-no a abismos; nunca mais a sua mão se estenderá aberta e franca a mãos humanas. Quanto a nós mesmos, que valor tem a causa se para lhe darmos dinamismo a deformamos, a mergulhamos em parte na sombra da mentira?
Não é nosso ideal, e por isso lutamos, formar os bandos inconscientes e os prontos cadáveres que às nossas ordens obedeçam; salvar-se-á o mundo pelos espíritos claros, tenazes ante o certo, ante o incerto corajosos; só eles sabem medir no seu justo valor e vencer galhardamente toda a barreira levantada; só eles encontram, como base do ser, a marcha calma e a energia inesgotável. É ilusória toda a reforma do colectivo que se não apoie numa renovação individual; ameaça a ruína a todo o movimento que tornarem possível a ignorância e a ilusão. Acima de tudo coloquemos a franqueza e os abertos corações; das dúvidas que se juntam podem surgir as fórmulas melhores; vem mais lento o triunfo, mas vem mais sólido; a ninguém se arrastou, todos chegaram por seu pé.
Agostinho da Silva, in 'Considerações'
obrigado
Não é nosso ideal, e por isso lutamos, formar os bandos inconscientes e os prontos cadáveres que às nossas ordens obedeçam; salvar-se-á o mundo pelos espíritos claros, tenazes ante o certo, ante o incerto corajosos; só eles sabem medir no seu justo valor e vencer galhardamente toda a barreira levantada; só eles encontram, como base do ser, a marcha calma e a energia inesgotável. É ilusória toda a reforma do colectivo que se não apoie numa renovação individual; ameaça a ruína a todo o movimento que tornarem possível a ignorância e a ilusão. Acima de tudo coloquemos a franqueza e os abertos corações; das dúvidas que se juntam podem surgir as fórmulas melhores; vem mais lento o triunfo, mas vem mais sólido; a ninguém se arrastou, todos chegaram por seu pé.
Agostinho da Silva, in 'Considerações'
obrigado
12.11.10
14.9.10
Krishnamurti e a violência
«(…) Suponha que eu seja agressivo, furioso, ciumento, embrutecido, movido pela ambição, que leva à competição e assim, estou sempre a comparar-me com alguém. Essa comparação faz com que eu me sinta inferiorizado diante de vocês. Então ocorre uma luta, violência e todas essas coisas. E eu digo a mim mesmo: "Tenho que me livrar disso. Quero viver em paz. Apesar de o homem viver assim por milhares de anos, é preciso que haja uma mudança. Deve haver uma mudança na sociedade, por pior que ela esteja.". Como tal, eu lanço-me ao trabalho social, esquecendo, consequentemente de mim mesmo. Mas o trabalho social e a sociedade são eu mesmo e então percebo os truques que a mente faz. Agora vejo a mim mesmo e percebo que sou violento.
Como perceber essa violência? Como o julgador que a condena? Ou justificando-a? Como alguém incapaz de lidar com essa violência e que por isso foge dela? Como perceber a mim e a essa violência? Por favor, experimente. Você está olhando como um observador alheio à violência, que condena, justifica e diz: "Isso é bom", então faço? O observador percebe a violência, distanciado dela e a condena? Ou o observador é observado? Ele reconhece a violência e a separa de si mesmo, a fim de fazer algo a respeito, mas essa separação é apenas um dos truques de seu pensamento. O observador é o observado e é a violência. Enquanto houver essa fragmentação, esse distanciamento entre observador e observado, haverá violência. Quando eu captar, não verbalmente, mas realmente com o coração, a mente, com todo o meu ser, então o que ocorre?
Você sabe que quando observa algo, há sempre não somente a separação e o distanciamento do observado, mas também o desejo de identificar-se com o que é bonito, nobre e de não se identificar com o que não é. Então a identificação é parte de um truque da mente que se separa a si mesma, tornando-se o censor e tenta identificar-se com o que observa. Considerando que, quando o observador se torna consciente de que é parte do que é observado, e ele é, consequentemente, não há imagem, representação entre observador e observado, então percebe-se que o conflito se extingue por completo.
Isso é verdadeira meditação. Não apenas um truque. Portanto, é muito importante, imperativo compreender-se profundamente, todas as reacções, todos os condicionamentos, os vários temperamentos, características, tendências. Apenas testemunhar, sem o observador. Observar sem o observador. Esse é o acto de aprender e, portanto, essa é a acção (Krishnamurti aqui se refere à "acção que é completa", mencionada no quarto parágrafo do texto: (…) Podemos encontrar uma maneira de viver, não uma ideia abstracta, uma concepção filosófica, uma teoria, mas efectivamente um modo de vida que seja uma acção completa, plena e totalmente não contraditória).»
Jiddu Krishnamurti falando em San Diego, em 5 de Abril de 1970. Krishnamurti Foundation Trust - Boletim 84 - 2003
Como perceber essa violência? Como o julgador que a condena? Ou justificando-a? Como alguém incapaz de lidar com essa violência e que por isso foge dela? Como perceber a mim e a essa violência? Por favor, experimente. Você está olhando como um observador alheio à violência, que condena, justifica e diz: "Isso é bom", então faço? O observador percebe a violência, distanciado dela e a condena? Ou o observador é observado? Ele reconhece a violência e a separa de si mesmo, a fim de fazer algo a respeito, mas essa separação é apenas um dos truques de seu pensamento. O observador é o observado e é a violência. Enquanto houver essa fragmentação, esse distanciamento entre observador e observado, haverá violência. Quando eu captar, não verbalmente, mas realmente com o coração, a mente, com todo o meu ser, então o que ocorre?
Você sabe que quando observa algo, há sempre não somente a separação e o distanciamento do observado, mas também o desejo de identificar-se com o que é bonito, nobre e de não se identificar com o que não é. Então a identificação é parte de um truque da mente que se separa a si mesma, tornando-se o censor e tenta identificar-se com o que observa. Considerando que, quando o observador se torna consciente de que é parte do que é observado, e ele é, consequentemente, não há imagem, representação entre observador e observado, então percebe-se que o conflito se extingue por completo.
Isso é verdadeira meditação. Não apenas um truque. Portanto, é muito importante, imperativo compreender-se profundamente, todas as reacções, todos os condicionamentos, os vários temperamentos, características, tendências. Apenas testemunhar, sem o observador. Observar sem o observador. Esse é o acto de aprender e, portanto, essa é a acção (Krishnamurti aqui se refere à "acção que é completa", mencionada no quarto parágrafo do texto: (…) Podemos encontrar uma maneira de viver, não uma ideia abstracta, uma concepção filosófica, uma teoria, mas efectivamente um modo de vida que seja uma acção completa, plena e totalmente não contraditória).»
Jiddu Krishnamurti falando em San Diego, em 5 de Abril de 1970. Krishnamurti Foundation Trust - Boletim 84 - 2003
13.8.10
7.2.10
A grande tragédia da vida
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1.12.09
11.9.09
Camus e a Felicidade
O homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo mundo. Efectivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, não querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo, sofrem, sempre, pelo contrário, por não poderem possuí-lo suficientemente, estranhos cidadãos do mundo que são, exilados na sua própria pátria. Excepto nos momentos fulgurantes da plenitude, toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus actos escapam-lhes noutros actos; voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas; fogem, como a água de Tântalo, para um estuário ainda desconhecido. Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria. Mas essa visão que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode surgir; se tal acontecer, será nesse momento fugitivo que é a morte; tudo nela termina. Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre.
Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter, na verdade, mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando. Então fazemos arte sobre essas existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um, nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte. Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.
Albert Camus, in "O Homem Revoltado"
Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter, na verdade, mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando. Então fazemos arte sobre essas existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um, nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte. Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.
Albert Camus, in "O Homem Revoltado"
23.8.09
16.7.09
Agostinho da Silva e a felicidade
"Não creio que se possa definir o homem como um animal cuja característica ou cujo último fim seja o de viver feliz, embora considere que nele seja essencial o viver alegre. O que é próprio do homem na sua forma mais alta é superar o conceito de felicidade, tornar-se como que indiferente a ser ou não ser feliz e ver até o que pode vir do obstáculo exactamente como melhor meio para que possa desferir voo. Creio que a mais perfeita das combinações seria a do homem que, visto por todos, inclusive por si próprio, como infeliz, conseguisse fazer de sua infelicidade um motivo daquela alegria que se não quebra, daquela alegria serena que o leva a interessar-se por tudo quanto existe, a amar todos os homens apesar do que possa combater, e é mais difícil amar no combate que na paz, e sobretudo conservar perante o que vem de Deus a atitude de obediência ou melhor, de disponibilidade, de quem finalmente entendeu as estruturas da vida.
Os felizes passam na vida como viajantes de trem que levassem toda a viagem dormindo; só gozam o trajecto os que se mantêm bem despertos para entender as duas coisas fundamentais do mundo: a implacabilidade, a cegueira, a inflexibilidade das leis mecânicas, que são bem as representantes do Fado, e cuja grandeza verdadeira só se pode sentir bem no desastre; é quando a catástrofe chega que a fatalidade se mede em tudo o que tem de divino, e foi pena que não fosse esta a lição essencial que tivéssemos tirado da tragédia grega; como pena foi que só tivéssemos olhado o fatalismo dos árabes pelo seu lado superficial.
Por outra parte, é igualmente na desgraça que se mede a outra grande força do mundo, a da liberdade do espírito, que permite julgar o valor moral no desastre e permite superar, pelo seu aproveitamento, o toque do fatal; não creio que Prometeu estivesse alguma vez verdadeiramente encadeado: talvez o estivesse antes ou depois da prisão; mas era realmente um espírito de liberdade e um portador de liberdade o que, agrilhoado a montanha, se sentiu mais livre ainda; porque podia consentir ou não no desastre, superá-lo ou não, ser alegre ou não. E este ser alegre não significa de modo algum a alegria daquele tipo americano de «Quebre uma perna e ria»; acho que eram muito mais alegres as pragas dos velhos soldados de Napoleão. No fundo é o seguinte: é necessário, ajudando a realizar o homem no que tem de melhor, que a mesma energia que se revelou pela física no mundo da extensão, se revele pelo espírito no mundo do pensamento e domine a primeira vaga de energia, como onda rolando sobre onda mais alto vai. E mais ainda: que pelo momento de infelicidade, o que não poderá nunca suceder no caso da felicidade, entenda o homem como as duas espécies ou os dois aspectos de energia se reúnem em Deus. Só por costume social deveremos desejar a alguém que seja feliz; às vezes por aquela piedade da fraqueza que leva a tomar crianças ao colo; só se deve desejar a alguém que se cumpra: e o cumprir-se inclui a desgraça e a sua superação."
Agostinho da Silva (Textos e Ensaios Filosóficos)
13.7.09
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